44 mil famílias sem casa. Enquanto isso, a política do Tocantins segue repetindo promessas que nunca saem do papel

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Por André Luiz

O Tocantins convive hoje com uma realidade que já não pode mais ser ignorada: mais de 44 mil famílias vivem sem moradia digna. Esse número é compatível com o tamanho de uma cidade inteira invisível, espalhada por barracos improvisados, casas sem estrutura mínima, lotes irregulares e situações que desafiam qualquer noção de dignidade humana.

Por muitos anos, políticas públicas foram anunciadas, lançadas e até celebradas, mas os resultados não acompanharam as necessidades reais da população. A habitação no Tocantins tem sido tratada como um conjunto de ações pontuais, sem continuidade, sem articulação e, acima de tudo, sem liderança.

Ao analisar tecnicamente o cenário, é preciso dizer algo com clareza: um deputado federal, sozinho, não resolve o déficit habitacional do Estado. Mesmo destinando 100% das emendas individuais apenas para habitação — algo que nenhum parlamentar faz — o impacto real seria de, no máximo, 2% a 5% do déficit ao longo de um mandato.

Essa é a verdade que raramente chega ao debate público.
Não porque ela seja complicada, mas porque não é conveniente para a política tradicional.

Mas, ao contrário de ocultar dados, acredito que a solução começa justamente por encarar a realidade como ela é.

Por que o Tocantins ainda não avançou?

O problema da moradia não é falta de vontade das famílias. É falta de um projeto estadual de habitação, integrado, contínuo e tecnicamente estruturado.

Hoje, cada ente público age de maneira isolada: prefeituras tentam resolver demandas urgentes, o Governo do Estado atua de forma limitada, e a bancada federal não trabalha com metas conjuntas. O resultado é uma ação dispersa, fragmentada e incapaz de produzir impacto real.

O que proponho: uma força-tarefa permanente envolvendo todo o Estado

A solução está em substituir ações isoladas por um pacto estadual de habitação popular, com metas anuais e responsabilidades compartilhadas.

1. União da bancada federal em um compromisso conjunto

Não se trata de um deputado tentando resolver o problema sozinho, mas de toda a representação tocantinense no Congresso direcionando parte das emendas, de forma coordenada, para projetos de impacto estadual.

2. Articulação direta com o Minha Casa Minha Vida

O Tocantins precisa disputar, com firmeza, mais unidades habitacionais nas faixas de maior vulnerabilidade. Essa negociação deve ser contínua, estratégica e baseada em dados.

3. Regularização fundiária e melhoria de moradias já existentes

Mais da metade do déficit se refere a casas inseguras, insalubres ou irregulares.
Reformar, ampliar e regularizar essas estruturas é mais rápido e mais barato do que construir novos imóveis — e gera impacto imediato na vida das famílias.

4. Prioridade para mães solo, idosos e famílias em vulnerabilidade extrema

Uma política pública justa precisa colocar em primeiro lugar aqueles que mais necessitam de proteção do Estado.

Avançar exige coragem

O Tocantins só avançará quando abandonarmos promessas impossíveis e adotarmos um modelo de trabalho baseado em verdade, planejamento e ação articulada.

Eu acredito que o nosso Estado tem plena capacidade de liderar um projeto habitacional robusto, eficiente e histórico.
Mas isso exige uma mudança de postura: menos marketing e mais compromisso real; menos ações isoladas e mais cooperação institucional.

Não apresento esta proposta como promessa eleitoral, mas como chamado ao debate público.
O Tocantins precisa discutir seriamente a moradia.
Precisa de metas.
Precisa de continuidade.
E precisa, acima de tudo, de liderança.

Estou disposto a contribuir com esse esforço.

A moradia digna não é um favor.
É um direito — e o Tocantins não pode mais adiar essa verdade.


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