JOSÉ WAGNER PRAXEDES | 18 de Março: entre a glória do passado e a vigilância do presente

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Foto: Divulgação

Celebrar o 18 de março é, antes de tudo, um exercício de memória e reverência. Esta data não é apenas um registro burocrático, mas o marco de um despertar que remonta a 1809, quando Teotônio Segurado instalou a Comarca de São João das Duas Barras. Naquele instante, o Norte declarava ao Brasil que possuía voz e um destino que não cabia mais nos limites do isolamento. O espírito emancipador que corre em nossas veias foi forjado no calor do cerrado; uma persistência que atravessou séculos e culminou na criação do nosso Estado pelas mãos do eterno Siqueira Campos.

Contudo, a autonomia conquistada com tanto sacrifício não é um troféu estático na parede da história; é um organismo vivo que exige proteção constante. Celebrar a liberdade do Tocantins também significa manter a consciência aguçada para identificar e expurgar aqueles que enxergam em nossa terra não um ideal, mas uma oportunidade de pilhagem. Não podemos admitir que nosso Estado, tão duramente conquistado, seja entregue aos que se deslumbram com as nossas riquezas apenas para locupletar-se com o dinheiro público. A autonomia é desonrada toda vez que o enriquecimento ilícito dos que deveriam honrar o povo condena a sociedade a continuar “a ver navios“.

Neste ano eleitoral, a celebração da autonomia ganha contornos de urgência. O voto popular é a manifestação máxima daquela luta iniciada em 1809; é a ferramenta de limpeza necessária para banir figuras enganosas que tentam travestir o oportunismo de amor ao Estado. O povo tocantinense, que carrega a autonomia no sangue, deve ter a coragem de buscar líderes que sejam verdadeiros e idealistas: homens e mulheres que lutem com entrega real, e não mercadores que buscam no erário o caminho para o próprio benefício.

Olhar para o passado nesta data é, acima de tudo, renovar um compromisso com a construção de um futuro mais justo. Honrar a autonomia é trabalhar para que o Tocantins seja terra de equidade e responsabilidade, onde o interesse coletivo prevaleça.

Que a história de nossa emancipação nos sirva de bússola para que, por meio do voto consciente, reafirmemos que somos, por natureza e por direito, os verdadeiros arquitetos do nosso próprio destino. Somente assim a autonomia se tornará plena: quando o poder emanar do povo e estiver, de fato, a serviço do próprio povo e, não visando interesses particulares.

José Wagner Praxedes

Conselheiro Decano do Tribunal de Contas do Tocantins


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