As recentes movimentações do senador Irajá Abreu (PSD), pré-candidato à reeleição pelo próprio partido, indicam a possibilidade de que o parlamentar adote com o pré-candidato ao Governo do Tocantins, Laurez Moreira (PSD), uma estratégia semelhante à utilizada em 2018, quando esteve aliado ao então candidato ao governo Márlon Reis.
Naquele pleito, Irajá firmou aliança com o ex-juiz Márlon Reis. Por coincidência, o ex-prefeito de Palmas, Paulo Mourão, também integrava a chapa como candidato ao Senado. Entretanto, após o registro das candidaturas, ocorreu um movimento que chamou atenção: enquanto Mourão participava de atos de campanha ao lado de Márlon, Irajá passou a seguir uma agenda própria, com poucos registros públicos de participação conjunta entre os dois.
Durante a campanha, Márlon Reis chegou a afirmar que estava com “saudades” de Irajá em seus eventos, fazendo referência ao distanciamento entre os dois durante a disputa eleitoral. Ao final daquele processo, Irajá foi eleito senador da República.
Em 2026, o cenário apresenta semelhanças. Irajá sinaliza que pode repetir a estratégia de construir uma atuação independente, mas, desta vez, o distanciamento começou antes mesmo das convenções partidárias. O senador e Laurez Moreira já protagonizam divergências dentro do PSD, principalmente em torno de dois pontos.
O primeiro envolve a disputa por uma das vagas ao Senado. Irajá lançou a pré-candidatura de Ivanete Lima (PSD), enquanto Laurez defende que uma das vagas da chapa majoritária seja destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT), com o nome de Paulo Mourão. Para que Ivanete avance como candidata, Irajá teria que retirar sua pré-candidatura ao Senado, uma hipótese que, até o momento, é considerata remota.
O segundo ponto de divergência está relacionado à definição da data da convenção do Partido Social Democrático (PSD), tema que também expõe diferenças entre os dois grupos.
A movimentação de Irajá dentro do processo eleitoral de 2026 indica que o senador busca preservar seu espaço político e pode repetir uma postura semelhante à adotada em 2018: manter a aliança formal, mas conduzir sua campanha de maneira independente.
