Em 2022, Lula havia vencido o primeiro turno no estado, com 50,40% dos votos válidos, contra 44% de Jair Bolsonaro. No segundo turno daquele ano, o petista ampliou sua votação para 51,36%, enquanto Bolsonaro registrou 48,64%. Os números mostram a mudança no equilíbrio eleitoral entre as duas forças políticas no estado.
Kátia Abreu no centro do debate
A atuação de Kátia Abreu ganha destaque diante do resultado. Ex-senadora e ex-ministra da Agricultura, ela assumiu a coordenação da campanha de Lula no Tocantins, ficando ligada à articulação política e à mobilização regional em favor da candidatura petista.
Com a derrota no primeiro turno, a coordenação estadual passa a integrar o debate sobre os motivos que levaram Lula a perder a liderança no eleitorado tocantinense. A questão envolve a capacidade de articulação com lideranças municipais, a formação de alianças, a mobilização de apoiadores e a comunicação da campanha com diferentes segmentos da população.
O resultado, entretanto, não permite atribuir exclusivamente à coordenadora a responsabilidade pela votação. O desempenho eleitoral é influenciado por fatores nacionais e regionais, incluindo a avaliação do governo, a força dos adversários e as alianças políticas estabelecidas em cada município.
Mudança no comportamento eleitoral
A comparação com 2022 evidencia o recuo de Lula no estado. Na eleição anterior, o presidente havia terminado o primeiro turno à frente de Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, o candidato do PT perdeu espaço para Flávio Bolsonaro, que ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos no Tocantins.
A mudança abre espaço para uma avaliação sobre as transformações no eleitorado e a influência das forças políticas regionais. Também levanta questionamentos sobre a capacidade do PT de manter sua presença eleitoral no estado e de construir alianças capazes de sustentar o desempenho presidencial observado em 2022.
Embora o resultado de 2026 represente uma derrota para a campanha de Lula no primeiro turno, a análise de suas causas exige considerar tanto a atuação dos dirigentes estaduais quanto as condições políticas mais amplas da disputa.
Desafio para o PT
A votação no Tocantins deixa um desafio para o PT: compreender as razões da perda de votos e avaliar quais fatores contribuíram para a mudança no resultado. Para a direção partidária, a tarefa passa por examinar a organização da campanha, o diálogo com as lideranças locais e a relação com os eleitores.
No caso de Kátia Abreu, a coordenação estadual a coloca naturalmente entre os nomes cuja atuação será discutida após o resultado. O desfecho, porém, não encerra o debate sobre a presença do partido no estado nem permite concluir, sem uma análise mais ampla, que uma única liderança tenha determinado o resultado das urnas.
A derrota no primeiro turno marca, assim, um momento de reflexão para o PT no Tocantins e evidencia a mudança no cenário eleitoral entre 2022 e 2026.
Fonte dos resultados eleitorais: dados de apuração das eleições presidenciais no Tocantins, com referência aos resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
